• Doenças comuns nesta época do ano geram crises de enxaqueca que podem sinalizar risco para a saúde dos olhos.

    Nesta época do ano a enxaqueca responde por uma em cada quatro consultas oftalmológicas, segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. É o que mostram 1200 prontuários de pacientes atendidos pelo hospital. O especialista destaca que nem sempre a dor está relacionada a algum problema na visão, independente da idade do paciente.

    Das 380 crianças atendidas pelo hospital com queixa de enxaqueca, só 25% tinham algum vício de refração – miopia (dificuldade de enxergar à distância), hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto)  ou astigmatismo (não tem bom foco de perto e longe).

    Ele conta que a sinusite, alergia, gripe, refriado e aumento da pressão arterial mais  freqüentes neste período  são causas comuns da enxaqueca tanto em crianças como em adultos. A dica do médico para identificar se a dor está relacionada a algum problema de visão é observar se começa no final das aulas ou do expediente. 

    Isso porque, neste caso é resultado de esforço visual para realizar as tarefas. 

    De acordo com Queiroz Neto estudos apontam que 30% dos brasileiros têm algum tipo de alergia. As de maior incidência são a asma e a rinite alérgica que crescem no inverno e primavera. As medicações utilizadas no combate a estas doenças, ressalta, podem provocar alterações nos olhos. As principais são:

    Princípio ativo

    Doença que combate

    Riscos

    Anticoagulante e Antiagregante plaquetário (Aspirina)

    Resfriado

    Hemorragia subconjuntival (mais freqüente) e degeneração macular úmida

    Loratadina

    Antialérgico muito usado no inverno

    Visão embaçada,  síndrome do olho seco, úlcera na córnea

    Penicilina e outros antibióticos

    Gripe e infecções

    Uso indiscriminado reduz a resistência e predispõe à conjuntivite viral e bacteriana.


    Como se não bastasse, no frio a contração dos vasos e artérias facilita o aumento da pressão arterial em quem já tem predisposição, podendo ocasionar enxaqueca decorrente da insuficiência circulatória. É por isso, destaca, que estas pessoas têm dor de cabeça com aura visual, caracterizada por enxergar luzes piscando, manchas brilhantes e visão borrada durante a crise. Este tipo de enxaqueca, adverte, aumenta o risco de escavações no nervo óptico e falhas permanentes no campo visual. O problema é que a SBC (Sociedade Brasileira de Cefaléia ) estima que só 5% dos brasileiros que sofrem enxaqueca recorrente têm acompanhamento médico. Por isso, o potencial de problemas na visão relacionados à enxaqueca é alto no Brasil. A recomendação é ter acompanhamento oftalmológico junto ao neurológico para evitar problemas irremediáveis.

    LDC Comunicação