• Não existem estatísticas oficiais, mas oftalmologistas estimam que as crianças são a maioria dos pacientes com conjuntivite. "Em creches, os bebês ficam muito próximos e quando há uma criança com conjuntivite, o contágio acontece rapidamente. Na escola, a própria interação entre as crianças por si só favorece a transmissão de vírus e bactérias quando há alguém com esse quadro. A higiene é fundamental para reduzir o contágio", explica a oftalmopediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura (CRM 9146/DF).

    Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, uma fina membrana transparente que reveste o globo ocular e o interior das pálpebras. Existem três formas de conjuntivite: as virais, as bacterianas e as alérgicas.
    Vírus - A conjuntivite viral, a forma diagnosticada com maior frequência, é causada pelo mesmo vírus que provoca o resfriado comum, observa a médica do HOB. Assim como um resfriado, que se espalha rápido entre as crianças, esta forma de conjuntivite também é altamente contagiosa. As crianças normalmente espirram e colocam as mãos na frente do nariz e da boca, em seguida coçam os olhos. Dessa forma, o vírus do resfriado entra em contato com os olhos e desencadeia a conjuntivite.

    Quando contaminada, a criança manifesta como sintomas a vermelhidão ocular, lacrimejamento intenso, sensação de areia nos olhos, uma pequena quantidade de secreção, inchaço das pálpebras e dor. Segundo a oftalmologista, "esses sinais manifestam-se em tempos diferentes nos olhos".

    Bactéria - A conjuntivite bacteriana é uma forma altamente contagiosa da conjuntivite. Muitas bactérias inofensivas aos adultos apresentam perigo de infecção nas crianças. "Este tipo de conjuntivite geralmente deixa o olho bem vermelho, com uma grande quantidade de secreção e acomete ambos os olhos simultaneamente, mas não há dor nem inchaço", esclarece.

    Alergia - A conjuntivite alérgica ocorre quando o olho entra em contato com alguma substância irritante. Não é contagiosa. "Este tipo de conjuntivite é geralmente associado com vermelhidão na parte branca do olho ou da pálpebra interna e pode ser confundida com as outras formas de conjuntivite. Por isso é importante que os pais levem as crianças o quanto antes a um especialista para identificar qual a espécie de conjuntivite está se manifestando", reforça.

    Tratamento - O tratamento varia de acordo com o tipo de conjuntivite assim como o tempo de cura do problema. A bacteriana é mais fácil e rápida de tratar. Com a aplicação de colírios antibióticos, em três dias a criança já apresenta melhora, explica a oftalmopediatra do HOB.

    Já na conjuntivite viral o processo é demorado e exige mais cuidados. "O vírus tem um ciclo próprio, normalmente de sete dias, e o tratamento nos casos de conjuntivite viral buscam aliviar os sintomas até que esse ciclo tenha fim. Entre as medidas suportivas estão a compressa de água gelada, a higienização dos olhos com soro fisiológico e, eventualmente, a indicação de colírios de lágrima artificial", lista Dorotéia.

    Algumas vezes, dependendo do tipo de vírus, depois do quarto ou quinto dia de evolução da conjuntivite viral, surge uma membrana interna nas pálpebras, configurando a fase aguda da infecção. "Esse quadro causa um inchaço na região palpebral e a conjuntivite só começa a apresentar melhora depois que o médico retira essa membrana. Nesses casos, o tempo de cura leva em torno de 30 dias", prevê.

    Infiltrados - Em determinadas situações, algumas crianças podem ainda evoluir o quadro para uma conjuntivite viral crônica, quando surgem pontos esbranquiçados pela córnea. "As crianças com esse quadro apresentam embaçamento visual apesar do olho não apresentar mais nenhum sinal de irritação. Com o tratamento adequado, a base de colírios corticoides, a conjuntivite leva até 12 meses para regredir", adverte a especialista.

    Cuidados - A especialista do HOB lembra que higiene é fundamental para evitar o contágio da conjuntivite e enumera dicas para evitar adquirir a infecção em casa, creche ou escola:

    * Não reutilizar lenços e toalhas ao limpar o rosto e os olhos;
    * Lavar as mãos frequentemente;
    * Não tocar ou coçar frequentemente os olhos;
    * Não usar cosméticos inapropriados para a idade e / ou compartilha-los com outras pessoas;
    * Usar óculos de mergulho para nadar;
    * Separar os objetos de uso pessoal da criança contaminada em casa;
    * Evitar o contato próximo da criança com outras pessoas e não levá-la pra escola/creche/piscina;
    * Trocar os lençóis e toalhas de banho e rosto da criança contaminada com frequência.

    Cooperação - Segundo a especialista do HOB, pais e professores devem trabalhar em conjunto:

    * Incentivando as crianças a lavarem as mãos frequentemente;
    * Recomendando que evitem tocar/coçar os olhos;
    * Desencorajando-os a fazer o compartilhamento de toalhas, panos, lenços e tecidos para limpar o rosto e os olhos. 

    Fonte: Opticanet