• A maioria das pessoas relaciona diabetes ao risco de cegueira. Contudo, persiste o desconhecimento sobre a prevenção da retinopatia diabética, caracterizada pela lesão dos pequenos vasos sanguíneos que nutrem a retina. Segundo a pesquisa “Diabetes: Mude seus Valores”, 75% dos pacientes com diabetes há mais de 20 anos desenvolvem a doença.


    Dr. Jorge Rocha, diretor da SBRV (Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo), afirma que a alta taxa de incidência deve-se a falhas no tratamento do diabetes. “O controle deve ser feito por meio de alimentação balanceada e medicação recomendada. Assim, será menor chance de ter a complicação na visão. O problema é que nem sempre esses cuidados são seguidos à risca, fazendo com que a doença se desenvolva, muitas vezes sendo notada apenas nos estágios mais avançados”.


    Os sintomas da doença são progressivos. O primeiro sinal é a vista embaçada, seguida de manchas turvas no campo visual. Aos poucos, a visão começa a ficar cada vez mais turva, podendo caminhar para uma hemorragia nos vasos sanguíneos oculares.


    “A doença se desenvolve da seguinte maneira: algumas células se acumulam nas paredes dos vasos da retina, causando estreitamento e, às vezes, bloqueio do fluxo sanguíneo. Como o sangue não consegue fluir normalmente, ele vai acumulando em determinadas regiões, criando micro-aneurismas (dilatação anormal do vaso). Dessa maneira, acaba havendo desgaste na parede do vaso até que ele se rompa e haja extravasamento de sangue na retina ou infiltração de gordura, o que compromete a visão”, explica Rocha.


    O especialista ressalta que, ao tomar conhecimento do diabetes, o paciente deve ser acompanhado também por um oftalmologista. Dessa maneira, será mais fácil diagnosticar precocemente qualquer problema na região. “Quando o tratamento é feito logo no início, 95% dos pacientes conseguem recuperar completamente a visão. Se o problema é detectado no começo, a terapia se resume a controle de glicemia e pressão, junto com alimentação balanceada.


    Caso a visão já esteja mais comprometida, é preciso recorrer ao tratamento a laser, que  coagula os locais em que o vaso está desgastado, acompanhado de medicação antiangiogênicas. Em último caso, quando há hemorragia ou descolamento da retina, optamos pela cirurgia vitrectomia, capaz de recuperar todas as partes prejudicadas do olho”.


    Embora os riscos de desenvolver a doença sejam menores naqueles que seguem o tratamento, ainda assim a probabilidade é alta: 50%. “Entretanto, quando ocorre nessas condições, acontece de uma forma mais leve, com progressão lenta e fácil reversão”, completa o diretor.



    Fonte: drauziovarella.com.br