• De acordo com a OMS, duas a cada três pessoas cegas no mundo são mulheres

    O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) alerta as mulheres sobre os problemas visuais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), duas a cada três pessoas cegas são mulheres. Em números absolutos, isso representa aproximadamente 27 milhões de deficientes visuais totais.

    Entre as razões apontadas pela OMS para o problema constam questões socioeconômicas, como as diferenças educacionais — muitas não têm informações sobre a cirurgia de catarata, por exemplo — e a disparidade financeira — que dificulta a aquisição de medicamentos, lentes e óculos, e o acesso a unidades de saúde, muitas vezes distantes do local de residência.

    “O Brasil passa por um momento de evolução nesse sentido. O Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (Ipea) divulgou um relatório recente que demonstra queda na desigualdade a partir de 2004. Na oftalmologia, e na medicina como um todo, vemos um movimento de “feminilização”, mas ainda precisamos avançar bastante”, avalia Keila Monteiro, secretaria geral do CBO, professora associada do departamento de oftalmologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

    Keila Monteiro de Carvalho também é coordenadora do CBO Mulher, iniciativa criada com o intuito de fomentar a discussão sobre a igualdade de gênero na prática médica e estimular o surgimento de lideranças entre as oftalmologistas brasileiras.

    Causas biológicas

    As doenças oculares que afetam desproporcionalmente mais mulheres do que homens são variadas. Alguns exemplos são a degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, olho seco, glaucoma, catarata, doenças neuroftalmológicas, doenças oculares inflamatórias e as relacionadas ao fluxo sanguíneo na região dos olhos.             

    As causas básicas para a maior suscetibilidade feminina a essas enfermidades, embora estudadas, são pouco conhecidas, fato que dificulta a implementação de programas para reduzir as disparidades de gênero no que diz respeito à saúde ocular. É sabido, contudo, que uma interação complexa entre hormônios sexuais, genética, fatores ambientais e o sistema imunológico está relacionada à incidência de afecções sistêmicas que podem trazer danos severos à visão, como a esclerose múltipla, doenças reumáticas, hipertensão e diabetes.         

    “Outro ponto importante é a maior expectativa de vida da mulher. A degeneração macular relacionada à idade e o olho seco são mais presentes em mulheres, especialmente após a menopausa. É fundamental que todas as mulheres fiquem atentas a alterações na visão e procurem o oftalmologista com regularidade”, afirma Keila Monteiro de Carvalho.

    Bons hábitos

    Independentemente do momento da vida em que esteja, além das visitas regulares ao oftalmologista, a principal recomendação para a mulher preservar a saúde da visão é manter um estilo de vida saudável: não fumar, adotar uma dieta adequada, não ingerir bebidas alcoólicas em excesso, praticar exercícios físicos, evitar situações de stress e usar óculos com proteção contra a radiação ultravioleta.  


    Fonte:http://www.cbo.net.br