• Depois dos cinquenta anos, a principal causa de perda da visão é a degeneração da mácula.

    A mácula é uma pequena área localizada na porção central da retina, que contém a maior densidade de fotorreceptores. É responsável pela acuidade visual de alta resolução que nos possibilita enxergar os detalhes mais finos, ler textos e reconhecer faces.


    Com a idade, na região da mácula, podem ocorrer depósitos de material constituído por restos celulares. Ao exame do fundo do olho, os oftalmologistas enxergam esses depósitos como lesões amareladas que acometem a mácula e a retina em volta dela.

    Essa degeneração resulta de uma resposta inflamatória crônica disparada pelos restos celulares, que destrói os fotorreceptores, provoca atrofia e libera fatores que causam proliferação de vasos sanguíneos (fatores angiogênicos).


    Os vasos assim formados causam pequenas hemorragias, extravasamento de líquido, deposição de gordura, descolamento do epitélio da retina e o aparecimento de cicatrizes, que comprometem a integridade da mácula.

    Nas fases mais precoces, a perda de visão costuma ser pouco perceptível. Quando ocorrem, os sintomas são: visão borrada, pontos luminosos, diminuição da sensibilidade aos contrastes de luz, dificuldade de adaptação ao escuro e necessidade de iluminação mais intensa para ler. A perda gradativa da visão pode evoluir de forma insidiosa no decorrer de meses ou anos, ou instalar-se abruptamente em semanas ou dias como consequência de hemorragias locais e extravasamento de líquido dos vasos recém-formados.

    Embora responsável por apenas 10% a 15% dos casos, a forma de instalação abrupta é a causa de 80% dos casos de perda grave ou total da visão.

    A probabilidade de apresentar os primeiros sinais da doença na faixa dos 43 aos 54 anos de idade é de 8%. A prevalência sobe para 30% entre pessoas com mais de 75 anos.

    A prevalência varia de acordo com a predisposição genética. Apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la: fumantes ativos e passivos, hipertensos, obesos e os que ingerem grandes quantidades de gorduras vegetais e dietas pobres em frutas, verduras e zinco.

    O tratamento exige mudanças no estilo de vida. Fumantes apresentam o dobro de chance de desenvolver a doença; haver deixado de fumar há mais de vinte anos torna a incidência idêntica à dos que nunca fumaram.

    É importante diminuir o consumo de gorduras, manter peso saudável, controlar a pressão arterial e adotar dietas ricas em frutas, folhas verdes, grãos integrais, peixes, nozes, castanhas e amêndoas.

    Nos últimos anos, a injeção intraocular de agentes que reduzem a proliferação de vasos sanguíneos (antiangiogênicos) teve grande impacto no tratamento.