• Beirando os 40 anos, é possível notar certa dificuldade para leituras de perto. As letras do jornal, da bula de remédio, do livro e até da receita de bolo parecem incrivelmente desfocadas, fazendo com que a leitura se torne ligeiramente melhor quando os objetos são colocados a uma distância mais afastada dos olhos.

    Esses sinais são decorrentes da presbiopia ou, como muita gente a conhece, a vista cansada. Segundo a oftalmologista Elizabeth Murer, do Hospital São Luiz, a presbiopia caracteriza-se por um desgaste fisiológico no sistema de acomodação do olho durante a vida. "Ela ocorre por conta da perda de elasticidade do cristalino, uma das partes do olho, que não é capaz de formar uma curvatura suficiente para que a imagem de perto seja formada. O cristalino tem a forma de uma lente biconvexa e sua função é permitir a visão nítida de qualquer distância.

    Assim como ocorre na hipermetropia, na presbiopia, há a dificuldade de enxergar de perto. A diferença é que no quadro de vista cansada não existe uma alteração no formato do olho, que vai modificar a formação da imagem. O olho do hipermétrope é mais curto e a imagem se forma depois da retina, dificultando assim a visão. "Já com o presbita não acontece isso. Todos nós teremos presbiopia um dia por causa da idade", completa a oftalmologista.

    Diagnóstico

    A presbiopia pode ser identificada no exame de rotina do oftalmologista, que usa a tabela de leitura para perto para o paciente exercitar a capacidade do foco ocular. 

    O exame é importante, pois o problema pode surgir precocemente. 

    "Um hipermétrope não corrigido simula uma presbiopia precoce" explica Elizabeth. 

    Segundo a oftalmologista, por não se tratar de uma alteração na anatomia do olho, dificilmente ocorrerá uma estabilização no grau de presbiopia até os 60 anos. 



    Tipos de presbiopia


    As dificuldades para leitura de perto podem aparecer em três situações distintas:

    - Presbita emétrope: a visão para longe é perfeita. Só há problemas para enxergar de perto.

    - Presbita hipermétrope: quando o hipermétrope não sente a necessidade de usar óculos logo que o problema se manifesta, a vista cansada aparece mais cedo. 

    - Presbita míope: a dificuldade é a visão para longe. Quando a presbiopia surge, muitos míopes preferem tirar os óculos para a ler de perto.  



    Tratamentos


    Óculos para perto: as lentes utilizadas em óculos indicados para a vista cansada, em geral, são lentes positivas, ou seja, com a adição especial de grau para a presbiopia na lente que o presbita costuma usar. Isso se houver outro problema de visão, além da vista cansada, que necessite do uso de óculos. A lente funciona como uma máquina de zoom, com o objetivo de direcionar a imagem até a retina.

    Cirurgia refrativa: é usado a mesma técnica, a Lasik, que corrige erros refrativos (miopia, astigmatismo, hipermetropia) mudando o formato da córnea. Porém, a oftalmologista salienta que, a longo prazo, esse tipo de procedimento envolvendo a presbiopia não garante uma segurança com relação ao resultado, pois o que é corrigido é a hipermetropia, onde há alteração cirúrgica na córnea, e não no cristalino.

    Radiofrequência: técnica que corrige temporariamente os problemas na visão, fazendo a alteração do encurvamento da córnea. No entanto, a oftalmologista afirma que é uma técnica muito utilizada nos Estados Unidos, mas que a ANVISA ainda não liberou sua utilização no Brasil. 

    Lentes de contato especiais: para as dificuldades com a leitura para perto, há as bifocais ou multifocais, com áreas diferentes da lente que focam zonas diferentes. Em geral, a área central da lente facilita a visão para longe, enquanto a parte inferior da lente - região da movimentação dos olhos para baixo - focaliza a leitura de perto.

    Monovisão: a técnica faz uso de lentes comuns. Segundo Elizabeth, é feito um teste de visão e o olho dominante do presbita utiliza a graduação da lente para longe, enquanto o outro, a graduação para perto. "Parece difícil, mas a pessoa se acostuma", afirma.

    Esclera: cirurgia refrativa em que há uma expansão dos túneis esclerais, deixando o olho mais curvo. A especialista salienta que, a longo prazo, as complicações da cirurgia são grandes, como possível elevação transitória da pressão intra-ocular e redução progressiva da correção feita.

    Monovisão e cirurgia refrativa: as técnicas combinadas utilizam o Lasik para correção do olho dominante (lente para longe), e do outro (lente para perto). 

    Cirurgia Facorefrativa: ocorre a substituição do cristalino por uma lente artificial de acrílico (polimetilmetacrialto). Dessa forma, o paciente ficaria com um cristalino artificial, similar ao que ocorre na cirurgia para substituição do cristalino em pessoas com catarata. "Mas a cirurgia é  questionável. Não considero essa técnica aconselhável pela dificuldade de acesso no Brasil e até mesmo no exterior", diz Elizabeth.



    Fonte: Minha vida