• Danos podem ser graves, com possíveis riscos da perda da visão e dos olhos


    Práticas equivocadas no uso de lentes de contato corretivas e cosméticas preocupam especialistas em transplantes de córnea. Os descuidos com as lentes podem até causar a perda do olho. Em casos específicos, pacientes que perderam a visão por infecções precisam ser submetidos ao transplante de córnea.

    O alerta é do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo administrada em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), na capital paulista.

    Úlcera de córnea, conjuntivite alérgica grave, irritações oculares e até cegueira são os danos mais graves causados pelo mau uso das lentes de contato.

    Usar lentes por horas excessivas além do recomendado pelos oftalmologistas talvez seja uma das principais razões causadoras das infecções oculares como as ceratites. A doença ataca diretamente a córnea.

    “As lentes impedem o contato dos olhos com a atmosfera. Por isso, quando o prazo de validade não é respeitado, inicia-se um processo lesivo com infecções que se desenvolvem de forma lenta. A maioria dos pacientes faz a troca das lentes somente quando começa sentir algum incômodo”, explica a especialista em transplante de córnea do hospital, Helaine Zampar.

    Uma vez que a ceratite infecciosa já está instalada e o tratamento com antibióticos não surte efeito, o transplante de córnea é indicado. O transplante terapêutico, ou “a quente”, é realizado nas situações em que a córnea está totalmente infectada, ou perfurada. Pacientes que conseguiram controlar a ceratite com medicamentos, mas tiveram algum tipo de sequela ou cicatriz no eixo da visão, também são submetidos ao transplante para voltarem a enxergar.

    Entre outras finalidades, as lentes são usadas para corrigir problemas visuais em pacientes que buscam uma alternativa ao uso dos óculos. Lentes coloridas com ausência do grau não eliminam os riscos do uso. Os óculos não devem ser descartados como forma de segurança na falta ou na impossibilidade de se usar as lentes. O acompanhamento oftalmológico adequado é primordial. Os olhos precisam ser saudáveis para suportar o material. Doenças na córnea, irritações ou inflamações são impeditivos automáticos para substituir os óculos pelas lentes.

    Para manter as lentes longe das infecções, é fundamental lavar o material no final do dia e deixá-lo na solução de limpeza específica. “Ao menor sinal de irritação ou dor, é imprescindível retirar as lentes dos olhos e fazer a higienização recomendada pelo oftalmologista”, explica Helaine Zampar. Caso o incômodo permaneça após a limpeza, é preciso ficar atento às possibilidades de problemas como agressões nos olhos, ou lesões nas córneas.

    Em menores de 15 anos, as lentes de contato devem ser usadas com acompanhamento e controle rigoroso dos pais. As mulheres também precisam ter cautela redobrada. As maquiagens representam um potencial fator de risco de contaminação. Rímel, lápis e delineadores impregnam nas lentes e muitas vezes a maquiagem é contaminada, pois são meios propícios para o crescimento de bactérias.

    Fonte: Secretaria do Estado de São Paulo